As eleições de meio de mandato dos EUA e o futuro de Trump
Eleições de meio de mandato nos EUA: um referendo sobre Trump e o futuro incerto de sua agenda
As eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), tornaram-se um plebiscito sobre o segundo mandato do presidente Donald Trump. Com a totalidade da Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e cerca de um terço do Senado (35 cadeiras) em disputa, o resultado definirá o equilíbrio de poder em Washington para os dois últimos anos de seu governo e lançará as bases para a sucessão presidencial de 2028.
As pesquisas eleitorais apontam para um cenário adverso ao Partido Republicano. Segundo levantamentos recentes, a taxa de aprovação de Trump caiu para a casa dos 31%, enquanto a desaprovação chegou a 66%. Esse desgaste é atribuído ao descontentamento com o custo de vida, o encarecimento da gasolina e a impopular guerra contra o Irã. Historicamente, o partido do presidente costuma perder assentos nas midterms, e o próprio Trump reconheceu que os republicanos enfrentam uma batalha difícil.
O xadrez do Congresso
Na Câmara dos Representantes, os democratas precisam de um ganho líquido de apenas três cadeiras para assumir a maioria, aproveitando a margem estreita dos republicanos (218 a 214, com duas vagas abertas). As projeções do Cook Political Report indicam que os democratas têm 222 cadeiras seguras, prováveis ou potencialmente favoráveis, contra 195 dos republicanos. Já no Senado, a disputa é mais complexa. Os democratas precisam conquistar quatro assentos para chegar a 51 e garantir o controle, enquanto os republicanos podem perder até três cadeiras e ainda manter a maioria, graças ao voto de desempate do vice-presidente JD Vance.
O futuro de Trump: “Mr. Veto” e a sombra de 2028
Se os democratas retomarem o controle de uma ou de ambas as casas do Congresso, Trump já sinalizou que adotará uma postura de confronto. Em entrevista ao New York Post, ele prometeu se tornar “Mr. Veto” e bloquear toda a legislação da oposição. Um Congresso adversário também abriria caminho para uma onda de investigações sobre seu governo, seu gabinete e seus negócios, além de aumentar a pressão por um novo processo de impeachment.
Questionado sobre seu futuro político, Trump descartou concorrer novamente em 2028, citando o limite constitucional de dois mandatos. No entanto, ele já começou a projetar sua influência sobre a próxima eleição, elogiando o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio como uma forte chapa presidencial para o futuro. O presidente também alertou que uma vitória democrata em 2028 levaria o país à “falência”.
O que está em jogo
Mais do que uma simples disputa por cadeiras no Legislativo, as midterms de 2026 representam a primeira oportunidade de os eleitores imporem limites constitucionais a um presidente que tem adotado uma visão agressiva do poder executivo. O resultado definirá se o movimento MAGA manterá sua influência sobre a vida nacional ou se iniciará seu declínio, além de demarcar os capítulos de abertura da corrida presidencial de 2028. Para os democratas, a vitória representa a chance de reparar a imagem do partido e provar que podem oferecer mais do que apenas uma oposição a Trump.
Com as urnas ainda sendo apuradas, o que se desenha é um cenário de incerteza e alta voltagem política, no qual o futuro do trumpismo e a governabilidade dos Estados Unidos para os próximos anos estão em jogo.

