Como reduzir o desperdício de alimentos no Brasil

Cada brasileiro desperdiça 94 kg de alimentos anualmente no consumo doméstico, segundo o Pnuma.

Nutricionista lista dicas práticas, do planejamento ao congelamento, para reduzir o descarte e economizar.

O alto desperdício de alimentos no Brasil, onde cada pessoa descarta em média 94 quilos por ano apenas em casa, conforme estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), reforça a urgência de hábitos de consumo mais conscientes. Pensando nisso, a nutricionista Claudia Mulero, da Água Doce Sabores do Brasil, elencou seis estratégias que transformam pequenas atitudes em grande impacto ambiental e financeiro.

A base para a mudança é o planejamento. Elaborar um cardápio semanal e uma lista de compras precisa evita excessos, compras por impulso e ajuda a variar a alimentação, otimizando o tempo na cozinha e garantindo economia.

armazenamento correto é essencial para prolongar a vida útil dos produtos. Mulero destaca a importância de organizar a geladeira, reservando as prateleiras superiores para laticínios e comidas prontas, a parte inferior para carnes cruas bem embaladas, e as gavetas para frutas e hortaliças. No freezer, a regra é manter a temperatura a -18°C ou menos, embalando e identificando os itens. Alimentos prontos devem ir sempre acima dos crus.

aproveitamento integral dos alimentos é uma prática simples com grandes benefícios. Partes frequentemente descartadas, como cascas, talos e sementes, podem ser incorporadas em sopas, petiscos, chás ou geleias, agregando fibras, vitaminas e minerais às refeições.

Já o reaproveitamento criativo permite transformar sobras — como arroz, purês ou carnes desfiadas — em novas receitas, como bolinhos, tortas ou recheios, evitando que o alimento vá para o lixo.

controle das porções é outra estratégia-chave. Preparar a quantidade adequada por refeição evita sobras desnecessárias, contribui para o equilíbrio nutricional e facilita o uso planejado dos ingredientes.

Por fim, o congelamento inteligente é um método eficaz de preservação. A dica é dividir e congelar os alimentos em porções menores. Embora o congelamento garanta segurança por tempo indeterminado, a qualidade é melhor mantida em prazos específicos: cortes de carnes bovinas e frango em até um ano, carnes moídas em quatro meses, peixes magros em até oito meses e pratos prontos em cerca de três meses.

Segundo a nutricionista, além de diminuir o descarte, estas práticas ampliam a ingestão de nutrientes, promovem economia e desenvolvem a criatividade culinária, contribuindo para uma cadeia alimentar mais sustentável.